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A fim de criar ambientes de partilha de experiências entre os colaboradores dos bancos que operam no mesmo mercado, a APBEF promoveu mais uma sessão de trabalho no passado dia 19 de junho de 2025, desta vez reunindo técnicos ligados aos serviços de crédito e de gestão de riscos dos seis bancos comerciais existentes no país.

Sendo a recuperação de créditos malparados uma preocupação de todos eles, os participantes viram-se na necessidade de juntos tentarem identificar as causas desta situação, a fim de serem depois encontradas formas ou estratégias para recuperação desse dinheiro, considerando as particularidades do país.

A possibilidade da entidade mutuante incorrer em perdas, resultantes do incumprimento das obrigações contratuais por parte do mutuário, está sempre presente, mas na Guiné-Bissau constata-se que este risco é maior.

O impacto negativo resultante do não cumprimento das obrigações contratuais dos clientes ou mutuários é sentido, em primeira mão, pelos bancos, que vêm seriamente afectados a sua saúde financeira. De forma prolongada, esta situação reflete-se igualmente na economia do país, uma vez que as instituições bancárias ficam mais cautelosas ao fornecer financiamentos, o que contribui para o declínio das diferentes áreas económicas.

Para as instituições de crédito, proceder à recuperação, judicial e extrajudicial, desses empréstimos, chega a ser uma árdua batalha. O perfil dos devedores está em crescente diversificação.

Perante este cenário, justifica-se plenamente na sociedade guineense, a necessidade de desencadear campanhas de educação financeira sobre a gestão correcta do dinheiro, assim como a promoção de campanhas de conscientização informativas sobre a importância da saúde financeira, especialmente para quem atribui empréstimos. Estas ações devem também alertar para as consequências da inadimplência e promover o uso responsável do crédito.

Durante essa sessão de partilha de casos e de preocupações, os técnicos bancários analisaram, entre outros aspectos desta problemática, o seu impacto numa economia já inflacionada.

Foram feitas algumas recomendações às instituições mutuantes, nomeadamente a uniformização de registo de comércio (nr de contribuinte) dos clientes para uma melhor extração de informações do Gabinete de Informação sobre Crédito (BIC) e adoptar a prática de partilha de informações no momento de montagem da operação, a fim de se tentar minimizar os riscos.